O GERENTE e a NOMENCLATURA dos CARGOS
O GERENTE e a NOMENCLATURA dos CARGOS
“A diferença entre a administração eficaz e ineficaz não está nas práticas administrativas, mas no conjunto de suposições que um gerente faz” Douglas McGregor
Em Administração, particularmente em administração de cargos e salários, diz-se que a nomenclatura de um cargo (título) deve ser determinada por aspectos técnicos e/ou legais. Por aspectos técnicos se entende a descritibilidade (1) (quando o título do cargo descreve as funções) e a universalidade (2) (quando existe quase que uma convenção sobre a utilização de uma determinada nomenclatura). Os aspectos legais (3) são, obviamente, o uso de certos títulos em função de profissões regulamentadas. A evolução do pensamento administrativo permitiu a ampliação do primeiro conceito visando conceder a este maior espaço às nomenclaturas abrangentes (4), pois essas não definem as funções em si, mas a natureza ou o campo de ação das atividades.
As características das nomenclaturas dos cargos
Os títulos de Empacotador, Soldador, Digitador e tantos outros semelhantes quanto a forma (descritivo) descrevem por si sós as funções principais (1) dos cargos a que dão o nome, propiciando ainda maior visibilidade para tais funções. Outros, como office-boy, são utilizados há tanto tempo que não há, às vezes, como não inseri-los em planos de cargos (2) - muito embora mensageiro pareça mais adequado (cargos universais). A legislação (3) definiu que Médico, Engenheiro, Secretária, Arquivista e tantos outras atividades são de uso exclusivo de pessoas portadoras de determinados títulos, com o respectivo registro no conselho ou entidade que o substitua circunstancialmente. São cargos cuja nomenclatura e requisitos são fixados por lei e, assim sendo, não há nada para inventar.
Mais recentemente sugiram com mais gás os cargos abrangentes. São cargos cujo título não define exatamente a função, mas dá uma idéia sobre o campo de ação provável (4). incluem-se nessa categoria os Assistentes de contabilidade, de Recursos humanos, Financeiros, de Compras etc. O que Taylor denominou, no inicio do século, como sistematizador (1) - título que encontrou para melhor designar suas funções - hoje encontra-se possivelmente registrado como analista de organização e métodos (O&M).
E gerente? Como surgiu?
Após a divulgação do que veio a se chamar - mais tarde - de teoria científica, surgiu com mais especificidade, o cargo de manager, ou melhor, administrador ou gerente. O gerente é aquele que, segundo McGregor, “gasta a maior parte do seu tempo resolvendo problemas”. Com o incremento da departamentalização, os indivíduos denominados “gerentes” passaram a ter o status e poder como forma de corresponderem às exigências empresariais, prepostos que eram da organização. O Professor João Bosco Lodi registrou que “na realidade, os empresários como classe, deixaram o controle operativo das empresas para exercerem o da política, que controla, por sua vez as empresas, ficando assim a gerência... como um preposto do capitalista e não como um novo poder político”
Peter Drucker, disse uma vez que o surgimento da gerência como instituição característica e dominante é um acontecimento importantíssimo na história social. Argumentava Drucker que desde o inicio do século raramente ocorreu - se é que ocorreu alguma vez - que uma instituição de caráter fundamental se projetasse tão rapidamente como a que veio a ocupar-se da gerência.
Não obstante o conceito de gerência, com funções de planejamento, organização, direção, coordenação e controle, como bem afirmou Drucker, ter surgido há poucas décadas, é correto também afirmar que a vida em grupo desde a pré-história nunca prescindiu de um administrador para fazer com que os recursos humanos, materiais etc., fossem colocados à disposição de determinados objetivos. Maquiavel, por exemplo, há 400 anos, escrevia sobre o que, senão sobre gerentes? McGregor chegou a dizer que a visão do gerente determina as ações do seu grupo de trabalho, positiva e negativamente, tão grande é a capacidade de influência de um gerente.
Não há ressalvas na literatura administrativa quanto a imprescindibilidade do gerente como preposto da organização e responsável, individual e coletivamente, pelo atingimento dos objetivos empresariais. A nomenclatura, no entanto, é base para uma crítica curiosa do professor Antony Jay (Maquiavel e Gerência de Empresas). Relata Jay que “é demasiado tarde para mudanças, apesar de ser, gerente, uma “palavra insultuosa e humilhante. Dá a idéia de alguém posto pelo proprietário para orientar os negócios enquanto ele esta ausente”. Continua Jay dizendo que a palavra trabalhador “envolve uma certa dignidade despretensiosa.” Mas gerente, conclui, “soa como eufemismo de cão de guarda”.
Não há textos acadêmicos que possam nos ajudar a conhecer os motivos pelos quais Jay tinha uma aversão tão grande ao título de gerente, administrador ou manager. Também não há porque questionar Drucker pelo ufanismo em torno das funções de gerente, quão claro é seu entendimento sobre o valor e importância de tais funções e da adequação da nomenclatura.
“A diferença entre a administração eficaz e ineficaz não está nas práticas administrativas, mas no conjunto de suposições que um gerente faz” Douglas McGregor
Em Administração, particularmente em administração de cargos e salários, diz-se que a nomenclatura de um cargo (título) deve ser determinada por aspectos técnicos e/ou legais. Por aspectos técnicos se entende a descritibilidade (1) (quando o título do cargo descreve as funções) e a universalidade (2) (quando existe quase que uma convenção sobre a utilização de uma determinada nomenclatura). Os aspectos legais (3) são, obviamente, o uso de certos títulos em função de profissões regulamentadas. A evolução do pensamento administrativo permitiu a ampliação do primeiro conceito visando conceder a este maior espaço às nomenclaturas abrangentes (4), pois essas não definem as funções em si, mas a natureza ou o campo de ação das atividades.
As características das nomenclaturas dos cargos
Os títulos de Empacotador, Soldador, Digitador e tantos outros semelhantes quanto a forma (descritivo) descrevem por si sós as funções principais (1) dos cargos a que dão o nome, propiciando ainda maior visibilidade para tais funções. Outros, como office-boy, são utilizados há tanto tempo que não há, às vezes, como não inseri-los em planos de cargos (2) - muito embora mensageiro pareça mais adequado (cargos universais). A legislação (3) definiu que Médico, Engenheiro, Secretária, Arquivista e tantos outras atividades são de uso exclusivo de pessoas portadoras de determinados títulos, com o respectivo registro no conselho ou entidade que o substitua circunstancialmente. São cargos cuja nomenclatura e requisitos são fixados por lei e, assim sendo, não há nada para inventar.
Mais recentemente sugiram com mais gás os cargos abrangentes. São cargos cujo título não define exatamente a função, mas dá uma idéia sobre o campo de ação provável (4). incluem-se nessa categoria os Assistentes de contabilidade, de Recursos humanos, Financeiros, de Compras etc. O que Taylor denominou, no inicio do século, como sistematizador (1) - título que encontrou para melhor designar suas funções - hoje encontra-se possivelmente registrado como analista de organização e métodos (O&M).
E gerente? Como surgiu?
Após a divulgação do que veio a se chamar - mais tarde - de teoria científica, surgiu com mais especificidade, o cargo de manager, ou melhor, administrador ou gerente. O gerente é aquele que, segundo McGregor, “gasta a maior parte do seu tempo resolvendo problemas”. Com o incremento da departamentalização, os indivíduos denominados “gerentes” passaram a ter o status e poder como forma de corresponderem às exigências empresariais, prepostos que eram da organização. O Professor João Bosco Lodi registrou que “na realidade, os empresários como classe, deixaram o controle operativo das empresas para exercerem o da política, que controla, por sua vez as empresas, ficando assim a gerência... como um preposto do capitalista e não como um novo poder político”
Peter Drucker, disse uma vez que o surgimento da gerência como instituição característica e dominante é um acontecimento importantíssimo na história social. Argumentava Drucker que desde o inicio do século raramente ocorreu - se é que ocorreu alguma vez - que uma instituição de caráter fundamental se projetasse tão rapidamente como a que veio a ocupar-se da gerência.
Não obstante o conceito de gerência, com funções de planejamento, organização, direção, coordenação e controle, como bem afirmou Drucker, ter surgido há poucas décadas, é correto também afirmar que a vida em grupo desde a pré-história nunca prescindiu de um administrador para fazer com que os recursos humanos, materiais etc., fossem colocados à disposição de determinados objetivos. Maquiavel, por exemplo, há 400 anos, escrevia sobre o que, senão sobre gerentes? McGregor chegou a dizer que a visão do gerente determina as ações do seu grupo de trabalho, positiva e negativamente, tão grande é a capacidade de influência de um gerente.
Não há ressalvas na literatura administrativa quanto a imprescindibilidade do gerente como preposto da organização e responsável, individual e coletivamente, pelo atingimento dos objetivos empresariais. A nomenclatura, no entanto, é base para uma crítica curiosa do professor Antony Jay (Maquiavel e Gerência de Empresas). Relata Jay que “é demasiado tarde para mudanças, apesar de ser, gerente, uma “palavra insultuosa e humilhante. Dá a idéia de alguém posto pelo proprietário para orientar os negócios enquanto ele esta ausente”. Continua Jay dizendo que a palavra trabalhador “envolve uma certa dignidade despretensiosa.” Mas gerente, conclui, “soa como eufemismo de cão de guarda”.
Não há textos acadêmicos que possam nos ajudar a conhecer os motivos pelos quais Jay tinha uma aversão tão grande ao título de gerente, administrador ou manager. Também não há porque questionar Drucker pelo ufanismo em torno das funções de gerente, quão claro é seu entendimento sobre o valor e importância de tais funções e da adequação da nomenclatura.
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