A Arte de Gerar Empatia e Cultivar Relações

Por Rigoney Amorim


A partir de 1996, o autor Daniel Goleman lança nos Estados Unidos de um livro versando sobre inteligência emocional, abrindo um campo de estudo que se verificaria como vasto, no que se refere-se aos impactos neurológicos nos seres humanos e como esses impactos interferem em suas vidas relacionais. Mais tarde então criou-se o conceito de “ Inteligência Social”, que viria dar apoio e esmiuçar questões neurológicas atinentes aos nossos relacionamentos com as outras pessoas.

Inteligência Social é a capacidade do personagem lidar com outras pessoas e compreender os sentimentos alheios, os relacionamentos sociais e as convenções morais. Personagens com alta Inteligência Social são sensíveis, têm tato, sabem ser atenciosos, calorosos e amigáveis. Gostam mais de elogiar do que de criticar e sabem evitar conflitos e discussões. Dão grande atenção a afetos e paixões e tendem a decidir com base em sentimentos. São bons em fazer amigos, influenciar pessoas e transmitir sua disposição aos demais. Isso não significa que sejam necessariamente pessoas éticas, justas ou bondosas: podem ser simplesmente bons manipuladores das emoções alheias.

Dependem principalmente de Inteligência Social as habilidades que se baseiam em relacionamento social e influência sobre os outros – como atuação, lábia, eloqüência, sofisticação, persuasão, insinuação, humorismo, antropologia, sociologia, etiqueta, hospitalidade, vendas, ensino, administração e sacerdócio.

Alguns jogos de interpretação (RPGs) incluem aspectos do que chamamos de Inteligência Social num atributo chamado Carisma (AD&D, D&D, d20 etc.) ou também Manipulação (Storyteller). Outros, como Gurps, a fundem com as inteligências Abstrata e Pessoal num conceito genérico de IQ, destacando alguns dos seus aspectos (como o Carisma) como uma Vantagem.

O impacto neurológico ocorre quando interagimos com alguém, ou seja, estamos influenciando e meio e também recebendo sua influência. Inteligência social tem a ver com comunicação, contudo, comunicar simplesmente, qualquer pessoa pode faze-lo, mas não significa que vai influenciar as pessoas, para isso é preciso ter uma íntima relação com aquilo que se diz na comunicação. Logo, empatia significa passar para o outro que estamos em perfeita sintonia com ele.
Como se dá essa conectividade?
Descobriu-se que o design real de nosso cérebro o torna sociável, inexoravelmente ele nos leva a uma íntima conexão cérebro-a-cérebro sempre que nós interagimos com outra pessoa. Esta ponte neural nos permite “atritar” nosso cérebro, e assim o corpo, com todo mundo com quem nós entramos em contato, da mesma maneira que eles fazem conosco.

Mesmo nossos mais rotineiros encontros, são reguladores no cérebro, iniciando emoções em nós, algumas agradáveis. Outras não. Quanto mais conectados emocionalmente estivermos com alguém, maior será a força mútua. As trocas mais poderosas ocorrem com aquelas pessoas com quem gastamos a maior quantidade de tempo dia sim, dia não, particularmente aquelas que mais queremos bem.
Durante esses links neurais, nossos cérebros embarcam num “tango emocional”, uma dança de sentimentos. Nossas interações sociais operam como moduladores, alguma coisa como um termostato interpessoal que continuamente reconfigura aspectos-chave de nossas funções cerebrais ao passo que elas orquestram nossas emoções.

Os sentimentos resultantes têm conseqüências de longo alcance, penetram sorrateiramente através de nossos corpos, enviando cascatas de hormônios que regulam os sistemas biológicos desde nosso coração até nosso sistema imunológico. Talvez ainda mais impressionante, a ciência agora rastreia conexões entre os mais estressantes relacionamentos e a operação principal de genes específicos que regulam o sistema imunológico.

Em uma extensão surpreendente, então, segundo Goleman, nossos relacionamentos moldam não apenas nossa experiência, mas nossa biologia. O link cérebro-a-cérebro permite nossos relacionamentos mais poderosos nos modelar de maneiras tão benignas e profundas quanto os genes são (ou não são) ativados nas células-t (nossos soldados do sistema defensivo na constante batalha contra bactérias e vírus invasores).

Isto representa uma espada de dois gumes: relacionamentos agradáveis têm um impacto benéfico sobre nossa saúde, enquanto aqueles tóxicos podem agir como pequenas doses de veneno que em longo prazo acarretam prejuízos.


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