TERCEIRIZAÇÃO DA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO
TERCEIRIZAÇÃO
DA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO
Rigoney Saraiva Amorim[1]
RESUMO
Desde
o surgimento da técnica do JIT (Just in Time), sistema revolucionário de gestão
voltado para a redução de níveis de estoque, em meados de 1950, as empresas de
um modo geral passaram a tratar seus estoques e não apenas os estoques, mas
também parte de sua logística sob um novo prima, no qual pudesse agregar valor
tanto ao processo produtivo quanto para o consumidor desses produtos e
serviços. O presente artigo objetiva analisar os principais aspectos atinentes
à logística de distribuição de empresas varejistas de móveis e eletrodoméstico,
no que se refere ao uso de sistemas de distribuição próprios ou terceirizados.
Para tal, foram analisados diversos fatores, tais como: custos, nível de
serviço, segurança, confiabilidade, dentre outros. Desta forma o objetivo geral
é fazer revisão bibliográfica sobre o nível de serviços e benefícios gerais dos
sistemas de logística de distribuição terceirizados. O estudo se reveste de
grande importância uma vez que a distribuição dos produtos no mercado varejista
se tornou um fator decisivo para o sucesso das empresas, gerando valor, que é percebido
pelo consumidor, influenciando assim suas decisões de compra. Nesse sentido, é
crescente o número de empresas varejistas que tem adotado a opção de terceirizar
sua logística de distribuição e essa experiência muitas vezes resulta em
menores custos e em outros casos redução do nível de serviço percebido por seus
clientes, dai a importância de se conhecer melhor a terceirização, uma vez que
a acirrada disputa por clientes não se encerra no ato da compra, indo muito
além nos mais variados processos do pós venda. Fruto dessa tendência há um
crescente surgimento de empresas e profissionais envidando esforços
intelectuais e financeiros, atuando como prestador de serviço ou mesmo
operadores logísticos na área de Distribuição dessas empresas. Espera-se
portanto, contribuir para o fortalecimento dessa importante área da logística,
possibilitando aos gestores, uma melhor tomada de decisão. Metodologicamente o
presente estudo está estruturado em uma pesquisa de revisão bibliográfica
abordando os principais autores da área, tratando sobre logística,
terceirização, distribuição física e varejo. Os Resultados alcançados foram a
identificação de um roll de vantagens e desvantagens que se comportam de
maneira diferente, dependendo do ramo empresarial, dos objetivos e
posicionamentos estratégicos da empresa em aplicação
Palavras Chaves: Logística. Distribuição.
Terceirização. e Clientes.
1 INTRODUÇÃO
Desde
o surgimento da técnica do JIT (Just in Time), sistema revolucionário de gestão
voltado para a redução de níveis de estoque, em meados de 1950, as empresas de
um modo geral passaram a tratar seus estoques e não apenas os estoques, mas
também parte de sua logística sob um novo prima, no qual pudesse agregar valor
tanto ao processo produtivo quanto para o consumidor desses produtos e
serviços. Estávamos diante do surgimento dos (Operadores logísticos), empresas
especializadas na gestão de estoques e sua movimentação fabrica-armazém,
armazém-cliente ou ainda armazém-ponto de venda.
Nos
dias atuais, surfando na onda da terceirização de gerenciamento de estoques pode-se
citar: a DHL, Veloce, Coopercarga, Fedex, dentre outras.
Além
do meio industrial, também se observa esse movimento no mercado varejista, onde
grandes empresas oportunam terceirizar sua logística de distribuição de modo a
se concentrar com mais afinco em suas “Core
Competences”. Essa experiência muitas vezes resulta em menores custos, em
outros casos em redução do nível de serviço percebido por seus clientes. Por
isso é importante identificar as vantagens e desvantagens desse processo, bem
como o nível de serviço percebido pelo consumidor final, uma vez que a acirrada
disputa por clientes não se encerra no ato da compra, indo muito além nos mais
variados processos do pós-venda.
Nesse sentindo há um
crescente surgimento de empresas e profissionais envidando esforços
intelectuais e financeiros, a fim de gerenciar, seja como prestador de serviço
ou mesmo operadores logísticos a área de Distribuição dessas empresas.
Assim, espera-se
contribuir para o fortalecimento dessa área da logística, com a abordagem de
características de ambos os processos, possibilitando aos gestores, uma melhor
tomada de decisão.
Perante a contextualização
acima se faz o seguinte questionamento: Até
que ponto a terceirização do sistema de Logística de distribuição é vantajoso
frente ao sistema de distribuição próprio?
Acredita-se que esse estudo seja interessante
para área estudada em razão de que a competitividade
no ambiente dos negócios “força” as empresas que querem se manter vivas no
mercado a olharem para toda cadeia de suprimentos de forma integrada, pois não
é mais suficiente otimizar a função de manufatura sem ligá-la a função de
distribuição de um modo geral, ou vice-versa. Hoje, pode-se dizer também que os
consumidores são mais informados, mais demandantes e menos fiéis.
Relata-se que o objetivo
geral é fazer revisão bibliográfica sobre o nível de serviços e benefícios
gerais dos sistemas de logística de distribuição terceirizados.
Diante do objetivo geral se elaborou
os seguintes objetivos específicos tais como: Pesquisar a importância da
logística de Distribuição para as empresas varejistas; Identificar as
principais vantagens e desvantagens dos sistemas de logística de distribuição
Terceirizada.
Declara-se ainda que Metodologicamente
o presente estudo está estruturado em uma pesquisa de revisão bibliográfica
abordando os principais autores da área, tratando sobre logística,
terceirização, distribuição física e varejo.
Quanto
à amostra é não probabilística acidental, o qual a inquietação se gerou
mediante as notícias a respeito do fenômeno investigado. Logo em relação aos
métodos é dedutivo, pois se gerou de fora para dentro o problema.
No
que tange aos procedimentos técnicos são bibliográfico, o qual se utilizou de livros
de logística de transporte, metodologia, artigos, revista, jornais e outros.
O artigo encontra-se
dividido em: Introdução; Fundamentação Teórica, com a abordagem dos conceitos
de Logística, Logística de Distribuição, Terceirização da Logística e Nível de
Serviço; Resultado, onde estão compilados os objetivos específicos de forma
detalhada e Conclusão.
2 FUNDAMENTAÇÃO
TÉORICA
Com o avanço da tecnologia, principalmente dos
chamados sistemas de informação, os diversos departamentos de uma empresa, bem
como suas divisões ou Unidades estratégicas de negócios imergiram em um grande
processo de integração. Assim na contínua busca por melhorias no desempenho
empresarial, a cadeia de suprimentos ganhou a atenção dos gestores e desta
forma, as empresas iniciaram um movimento a fim de entender possíveis
benefícios em entregar suas operações logísticas a empresas especializadas
(SADER, 2007).
2.1 O QUE É LOGISTICA?
O conceito de logística, apesar
de ter se originado na aplicação militar, com seu escopo envolvendo os
processos de abastecimento para suporte às operações bélicas, foi somente a
partir dos eventos da Segunda Guerra Mundial que a logística passou a abranger
toda uma gama de atividades, incluindo o planejamento, execução de projetos,
desenvolvimento técnico, além das etapas de obtenção, armazenamento, transporte
e distribuição de materiais seja para fins operacionais ou mesmo para fins
administrativos. (BARATA et al. 2007 p 20)
Logística é a segmentação do
processo da cadeia de suprimento que planeja, implementa e controla a
eficiência e demais elementos, no fluxo de materiais, serviços e informações
relacionadas entre o ponto de origem e o ponto de consumo com vistas a atender
as solicitações dos clientes (Council of
Supply Chain Management professional, 2004 Apud SADER, 2007, p 8).
Entende-se que a Logística e os seus processos
ocupam lugar de destaque na estrutura organizacional da empresa, haja vista
estar sob sua gestão, todo o fluxo de materiais, serviços e informações das
empresas em suas relações de venda-consumo. Fluxo esse, conforme demonstrado
mais adiante, é determinante para o sucesso ou fracasso das empresas e de seus
planos estratégicos.
Para Bowersox, Closs e Cooper, (2007) não há nenhuma
área das operações de uma empresa que seja tão complexa quanto à Logística. É
difícil imaginar a realização de qualquer atividade de marketing, produção ou
mesmo comércio internacional sem a logística.
Quando os clientes compram
mercadorias em uma loja varejista, pelo telefone ou pela internet, esperam que
a entrega do produto seja realizada do modo prometido. Na verdade, a
expectativa deles é de uma logística pontual e sem erros toda vez que fazem um
pedido (BOWERSOX, CLOSS e COOPER, 2007, p. 23).
A logística envolve a gestão do
processamento de pedidos, os estoques, os transportes e a combinação de
armazenamento, manuseio de materiais e embalagens, todos integrados por meio de
uma rede de instalações. Seu objetivo é apoiar as necessidades operacionais de
compras, produção e atendimento às expectativas do cliente.
Bowersox, Closs e Cooper,
(2007) destacam que é por meio do processo logístico que materiais fluem para a
capacidade produtiva de uma nação industrializada e produtos acabados são
distribuídos aos consumidores.
Destaca-se que a logística
existe para transportar e posicionar estoques com objetivos de obter benefícios
relacionado às variáveis de tempo, local e propriedade desejados, buscando
alcançar o menor custo total.
2.2 LOGISTICA DE
DISTRIBUIÇÃO
A gestão da cadeia de
suprimentos é cada vez mais importante para a vantagem competitiva das
empresas. As principais expectativas relacionadas ao desempenho na cadeia
produtiva almejadas pelas organizações são: redução no ciclo de tempo na
reposição de estoques, precisão na automatização das reposições contínuas, a
redução dos impactos na capacidade dos fornecedores de acordo com as demandas
dos clientes. (CHOPRA e MEINDL, 2004, p 81).
No contexto da cadeia de
suprimentos, considerada como um elemento crucial na estratégia de vantagem
competitiva está a Logística de Distribuição, responsável principalmente pelo
escoamento da produção diretamente aos pontos de venda, ou mesmo ao consumidor
final.
Distribuição é um dos processos da logística responsável pela administração
dos materiais a partir da saída do produto da linha de produção até a entrega
do produto no destino final (KAPOOR et al.,
2004, p. 2). Após o produto pronto ele tipicamente é encaminhado ao
distribuidor. O distribuidor por sua vez vende o produto para um varejista e em
seguida aos consumidores finais. Este é o processo mais comum de distribuição.
2.3
TERCEIRIZAÇÃO DA LOGÍSTICA
As empresas estão a cada
dia terceirizando mais ainda suas atividades relacionadas à distribuição e
focando suas atividades no Core Bussiness
da empresa. A distribuição tem grande importância dentro da empresa por ser uma
atividade de alto custo. Os custos de distribuição estão diretamente associados
ao peso, volume, preço, Lead Time do
cliente, importância na Cadeia de Suprimentos, fragilidade, tipo e estado
físico do material e estes aspectos influenciam ainda na escolha do modal de
transporte, dos equipamentos de movimentação, da qualificação e quantidade
pessoal envolvido na operação, pontos de apoio, seguro, entre outros (SADER,2007).
Conclui-se que a terceirização
passou a ocupar importante papel na cadeia de suprimentos, pois se trata se uma
operação especializada que necessita alcançar índices satisfatórios de
desempenho, confiabilidade e custos.
Ainda conforme Sader (2007),
trata-se de uma tendência mundial o processo de terceirização da logística como
um todo ou parte dela.
Em torno de 60 % das empresas listadas na Fortune 500, possui pelo um contrato com
uma empresa de serviços logísticos (LIEB E RANDALL, 1996 Apud SADER, 2007, p.
15).
Com o alto número de empresas aderindo ao modelo de
terceirização logística e verificando que a tendência ainda continua em alta,
vale a pena refletir sobre o que está acorrendo nesse segmento, bem como as
variáveis que estão impulsionando-o para tal (FLEURY, 2005 Apud SANDER, 2007,
p. 16)
Percebe-se que esse modelo de
terceirização trata-se de uma nova vertente que vem ganhado lugar no mercado
mundial como um todo e ainda que precisa ser explorado do ponto de vista
analítico, com medição de seu desempenho.
Segundo Lavalle (2000) o resultado de todo esforço
logístico é o serviço ao cliente, ou seja, as empresas compram equipamentos,
contratam pessoas, selecionam e desenvolvem fornecedores, investem em
tecnologia da informação e em capacitação gerencial, dentre outros fatores, com
o objetivo de desenvolver um processo logístico capaz de diferenciá-lo, de
criar valor para seus clientes e assim fazer mais entregas, cumprir prazos,
disponibilizar mercadorias e demais informações sobre o pedido, uma vez que
estes são alguns dos atributos mais valorizados pelos clientes.
Ressalta-se que o objetivo
maior de todo o esforço logístico é o de criar valor agregado ao
cliente/consumidor final, com o oferecimento de um nível de serviço capaz de
promover a melhor experiência de consumo possível.
2.4 NÍVEL DE SERVIÇO
Uma vez que a logística de distribuição constitui-se
essencialmente como serviço, é importante atentar para a percepção deste
serviço não apenas por parte do contratante ou terceirizador desse processo,
mas principalmente pelo cliente final, o qual estará em contato direto com a
rede de distribuição e dependendo do nível de serviço verificado por ele, suas
ações de consumo poderão ser alteradas.
Numa perspectiva de rede de
suprimentos, saindo da mentalidade convencional de relações ganha-perde entre
fornecedores e clientes, a decisão de terceirização deveria passar pelo crivo
gerencial sobre se a terceirização efetivamente representará criação de valor
para a rede, mais do que uma mera alteração do valor criado. (CORREA e CAON,
2010, p 370)
A percepção dos serviços de distribuição sofrerá
influencia de diversas variáveis. Correa e Caon (2010) destacam dentre outros
fatores, aspectos como: flexibilidade, velocidade, atendimento, acesso e
segurança.
Entende-se por flexibilidade no tocante à
possibilidade de combinar as entregas, alterando rotas, horários ou mesmo
programação personalizada. Velocidade no sentindo de que o consumo de produtos
e serviços normalmente requer urgência na entrega de modo que o consumidor
possa usufruir o quanto antes de sua compra. Atendimento personalizado nos
moldes da ética e das mais modernas técnicas de relações interpessoais, acesso
às informações de compra e entrega e ainda segurança como garantia da
materialização sem maiores problemas de suas ações de consumo.
Desta forma, Correa e Caon (2010) concluem que a
satisfação do cliente será uma função da comparação que ele fará entre suas
expectativas e sua percepção do serviço prestado. Isso significa que a
prestação do serviço em si, por meio do ciclo de serviços, é responsável pela
geração, no cliente da percepção de desempenho do serviço.
3
RESULTADOS
Após a devida revisão
bibliográfica sobre o assunto em pauta, destacam-se nesta seção os resultados
auferidos, quanto às vantagens e desvantagens da terceirização de serviços
logísticos bem como a importância de tais serviços dentro da estrutura
empresarial.
3.1 A IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO
Segundo Christopher (1999),
a logística é o processo de gerenciamento estratégico de aquisição,
movimentação e armazenagem de materiais e produtos acabados bem como os
relativos fluxos de modo a maximizar as lucratividades presente e futura
através da redução dos custos. Desta forma, a logística pode ser definida como
o processo de gestão estratégica de compra, transporte e armazenamento de
matéria-prima, partes e produtos acabados, bem como o fluxo de informações
relacionadas ao processo, por parte da organização e de seus canais de
marketing, de modo que a lucratividade possa ser maximizada mediante a entrega
de mercadorias com o menor custo associado.
Segundo Bowersox e Closs
(2001) a Logística de Distribuição é a área operacional que posiciona
geograficamente o estoque. Nesse diapasão, custos, velocidade e consistência
são fatores fundamentais para o desempenho operacional. Abrahão e Soares (2007)
destacam que 60% dos custos logísticos do Brasil são compostos por custos com
transporte, os quais afetam os preços dos produtos, a pontualidade e as
condições de entrega ao destino.
Entende-se que o sucesso ou
o fracasso de qualquer negócio é determinado pelo nível de valor entregue ao
cliente, onde as empresas bem sucedidas são aquelas que entregam mais valor ao
cliente do que o seu concorrente. O autor ainda sugere que o papel do serviço
ao cliente é “oferecer utilidade de tempo e lugar na transferência de bens e
serviços entre comprador e vendedor”, sendo determinado pela interação de todos
os fatores que afetam os processos pelos quais os produtos são disponibilizados
aos compradores.
Dos principais elementos
fáticos citados por Bowersox e Closs (2001), entende-se que, posicionar geograficamente
o estoque significa dizer ter o estoque correto na hora certa, nas condições
corretas e no local correto. Esse posicionamento geográfico ao qual se refere o
autor muitas vezes não é alcançado com eficiência e eficácia, resultando em
perda de valor e consequentemente redução do nível de serviço. Os custos, a
velocidade e a consistência, completam a lista como elementos capazes de
definir muitas vezes o sucesso ou fracasso de uma operação, e porque não dizer,
de uma empresa.
Ballou (1993) enfatiza que
uma alternativa possível é providenciar transporte através de frota e
equipamentos próprios ou contratar serviços diretamente.
Ballou (2006) reforça que
muitas vezes as empresas acabam obrigadas a possuir logística de distribuição
própria, mesmo com custos maiores em função de manter padrões de atendimento
como: entrega rápida com confiabilidade; atender necessidades de equipamentos
indisponíveis; cargas que requerem manuseios especiais e outros serviços que
precisam estar disponíveis assim que necessários, senão perdem seu propósito.
Quanto à logística de
Distribuição, entende-se que sua importância e impacto na geração de valor são
latentes. Seja na concepção de custos, tornando os produtos ou serviços mais
baratos ou mais caros ou mesmo na percepção de nível de serviço pelo cliente.
Pois, este espera ter suas necessidades atendidas e dentre as quais estão:
segurança, prazo, custos, etc. Sob esta ótica, as opções de frota própria ou terceirizadas
abordada por Ballou (1993), estão diretamente relacionadas ao atendimento das
necessidades dos clientes.
Compreende-se ainda que, a
logística de distribuição gera valor ao cliente conforme nos ensina Ballou
(2006), fato esse que faz com que algumas empresas, mesmo diante de um roll
expressivo de vantagens, não terceirize sua distribuição, por se tratar de
vantagem competitiva frente a seus concorrentes, neste caso incorrendo muitas
vezes em maiores custos. Os aspectos estratégicos incluem: considerar futuros
produtos, volumes, fornecedores, clientes e o que apoia as necessidades da
estrutura da distribuição. Como visto, entende-se a logística de Distribuição é
sem dúvida um elemento fundamental na estrutura empresarial, cuja decisão de
terceirização está muito além de uma questão meramente financeira, mas
inclusive do Planejamento e posicionamento estratégica Organizacional.
3.2 AS PRINCIPAIS VANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO DOS
SISTEMAS DE LOGÍSTICA
Sader (2007), destaca a
terceirização logística como tema relevante da atualidade, e que por isso, é
necessário um entendimento com maior profundidade sobre os principais motivos
que levam as empresas a tomarem a decisão de terceirizar parte ou o todo de
suas operações logísticas, ou seja, quais são as principais vantagens
percebidas no processo de terceirização logística.
Arroyo, Gaytan, Boer (2006),
em pesquisa realizada com médias e grandes empresas na região de Tolouca –
México, os fatores mais indicados foram: Flexibilidade da Operação (64%);
possibilidade de concentrar nas atividades essenciais/centrais (61%) e melhora
no nível de serviço (60%).
Verifica-se pelas análises
acima, que a principal vantagem da terceirização é a questão da Flexibilidade
das operações, pois se trata de serviço especializado, o que permite maior
autonomia em sua gestão e operação, permitindo assim um nível de serviço
diferenciado. A possibilidade de se concentrar nas atividades essenciais da
empresa, que aparece na segunda posição é previsível, pois se trata de uma
vantagens comum aos processos de terceirização em geral, entretanto nem por
isso carece de importância, uma vez que quando a empresa se concentra nas
atividades fins consegue entregar maio valor ao cliente na concepção de seus
produtos ou serviços e ainda quanto à melhora no nível de serviços, entende-se
que se dá em função da maior especialização do prestador de serviços logísticos,
permitindo oferecer um nível de serviços com padrões jamais alcançados pela
Empresa Terceirizadora.
Giosa (1997), por sua vez
elenca as vantagens da terceirização como sendo: desenvolvimento econômico;
maior especialização dos serviços; aumento na competitividade; busca de
qualidade nos serviços; controles mais adequados; aprimoramento do sistema de
custeio; esforço de treinamento e desenvolvimento profissional; diminuição do
desperdício; maior agilidade nas decisões; menor custo; maior lucratividade e
crescimento.
Já na visão de Martins
(2010), as principais vantagens da terceirização seriam: alternativas para
melhorar a qualidade do produto ou serviço vendido para o cliente; alternativas
para melhorar a produtividade da empresa; ter um fornecedor de serviços
especializado; investimentos direcionados para a atividade fim; obtenção de
resultados competitivos.
Percebe-se nas visões de
Giosa e Martins, que as vantagens da terceirização caminhão em direção
principalmente a um alcance de maior autonomia e flexibilidade operacional, bem
como a redução de custos e ainda na concentração em atividades fins da empresa,
ou seja, suas core competeces. Sob
essa ótica pode-se perceber que a terceirização da logística de distribuição
pode trazer excelentes resultados. Outra questão importante é o fato de que as
vantagens e desvantagens podem variar de acordo com o ramo da economia em que
se encontre a empresa terceirizadora bem como sua localização espacial, ou
seja, se no Brasil ou no exterior.
Ressalta-se ainda que
compilando as vantagens e desvantagens elencadas pelos autores pesquisados no
presente artigo, bem como aferindo os resultados em suas pesquisas de campo e
em diversos estudos de caso temos o roll
a seguir com as vantagens mais evidencias pelas empresas no processo de
terceirização da Logística de Distribuição: melhorar nível de serviço (47%);
Redução de Custos (29%); obtenção de melhor Know
how (12%), demais vantagens (12%).
3.3 AS PRINCIPAIS DESVANTAGENS DA
TERCEIRIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE LOGÍSTICA
Na visão de Rezende (2008)
com relação às desvantagens destacam-se o risco, estes mais ligados aos riscos
trabalhistas; aumento do controle das atividades terceirizadas; possibilidade
de queda de qualidade dos serviços prestados aos clientes; e ainda perda de
identidade da empresa.
Para Giosa (1997), as
principais desvantagens da terceirização seriam: resistências e
conservadorismo; dificuldade de se encontrar a parceria ideal; custo de
demissões; e falta de parâmetros de custos internos.
No que tange às desvantagens
citadas por Rezende e Giosa, entende-se que o processo de terceirização muitas
vezes representa uma mudança drástica na estrutura organizacional e operacional
da empresa. Desta forma, fatores como conservadorismos são relevantes entraves
tanto para o sucesso da terceirização enquanto operação prática, bem como
concorre para a frustação desse processo. O grande número de empresas
segmentadas também se reveste como problemática, haja vista, o baixo nível de
serviços oferecidos por muitas delas, dificultando assim a escolha da parceria
ideal. Entretanto, entende-se que o fator “Perda da Identidade da empresa” é
uma das principais e mais relevantes desvantagens, pois em alguns casos, essa
perda de identidade pode afetar diretamente as vendas da empresa, num contexto
moderno onde a experiência de consumo é cada vez mais valorizada pelo cliente.
Os riscos trabalhistas ocorrem nos casos de Litisconsórcio nos casos em que
tanto a empresa terceirizada como a empresa terceirizadora responde de forma
solidária ou subsidiária nos litígios trabalhistas envolvendo empregados da
Terceirizada.
Fleury (2000) a seu turno
destaca as seguintes desvantagens: perda do acesso a informações chaves do
mercado; descompasso entre as percepções do contratante e do operador
contratado sobre os objetivos competitivos da empresa contratante; falta de
habilidade do operador contratado para responder às mudanças de condições de
negócios; incapacidade do operador de cumprir as metas combinadas com o
contratante; criação de uma dependência excessiva da empresa contratante ao
operador logístico, gerando um alto custo de mudança; perda do planejamento
estratégico logístico; entre outros.
Nas desvantagens citadas por
Fleury, entende-se que embora o processo de terceirização de sistemas logísticos
seja tentador num primeiro momento, este também se reveste de cautela, pois há
um número considerável de elementos complicadores do sucesso dessa
terceirização. Estas desvantagens podem atuar tanto isoladamente como em
conjunto. No tocante à perda de acesso a informações chaves do mercado,
verifica-se que esta desvantagem se dá em função de um certo distanciamento que
passa a existir entre a empresa fabricante ou vendedora de produtos e serviços
para com seus clientes finais, situação em que se dá muitas vezes abertura a um
maior entendimento das expectativas desses clientes e ainda a um verdadeiro feedback da relação produto / consumidor.
No descompasso entre as percepções do contratante e do operador contratado
sobre os objetivos competitivos da empresa contratante percebem-se os problemas
de comunicação e acompanhamento dos objetivos e metas traçadas, que muitas vezes
concorrem de forma contrária ao planejamento estratégico da empresa,
consequentemente resultando na incapacidade do operador de cumprir as metas
combinadas com o contratante. E por fim a criação de uma dependência excessiva
da empresa contratante ao operador logístico, uma vez que a empresa deixa de
realizar a tarefa terceirizada e desta forma acaba por perder o Know How, que agora esta nas mãos de seu
operador logístico / terceirizado.
CONCLUSÃO
Da presente pesquisa pode-se
concluir que a Logística de Distribuição é sem sombra de dúvida uma importante
área da estrutura organizacional, área essa que atua como elemento estratégico,
constituindo em si, vantagem competitiva para os negócios. Desta forma a
decisão de Terceirização será relativa, pois será necessário avaliar o
posicionamento estratégico da empresa, as expectativas de crescimento, as
diversas variáveis de mercado tais como concorrência, mercado consumidor,
expectativas de clientes, dentre outros.
Podemos concluir que a
terceirização é a melhor vertente para o sucesso das operações?, Certamente
não. Essa análise não é tão simples assim, necessitando de um profundo
conhecimento do negócio e relacionando as vantagens e desvantagens da
terceirização. Pois somente dessa forma, mensurando economicamente e
estrategicamente os resultados é que a empresa poderá definir o melhor rumo
para seus negócios, optando pela terceirização ou não.
Por outro lado, ficou
demonstrado no presente artigo que a maior dificuldade é sobretudo, avaliar as
vantagens e desvantagens citadas pelos autores pesquisados, fazendo as devidas
verificações dos impactos de cada uma delas no negócio / organização em que se pretenda
terceirizar a Logística de Distribuição.
Propõem-se, portanto que a
organização empresarial terceirize apenas uma parte de sua logística de
Distribuição de modo que possa comparar as duas frentes de trabalho no momento
em que ambas estejam funcionando.
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[1]MBA em Logistica Empresarial pelo
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